HÁ QUANTO TEMPO NÃO VAIS AO JARDIM?

14/02/2011 13:45

            Visitemos o Jardim de Getsemani, contemplemos a agonia de Jesus momentos antes de sua prisão e morte. Ouçamos sua oração: “Aba, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice; todavia não seja o que eu quero, mas o que tu queres”. Contemplemos pela fé a cena grandiosa do supremo amor de Deus que seria revelado no Calvário. Amorosamente, cuidadosamente, vejamos Jesus, prestes a viver o momento mais doloroso na história da humanidade, sozinho: seus discípulos, que há pouco discutiam quem o amava mais e lhe era mais fiel, tinham sido vencidos pelo sono.

            Aflito e só, o Mestre orou: “Oh, Pai, não há nada que não possas fazer. Nada.” Deus, o Filho, antevendo sua agonia e dor, orou a Deus, o Pai, criador do céu e da terra, que poderia reorganizar os céus ou exterminar a terra, num piscar de olhos. Sua prece não foi: “Pai, não há nada que possas fazer?” Não! Ele disse: “Pai, qual é a melhor coisa a ser feita para glorificar o teu nome?” Jesus era filho de Deus, para ele exigir um milagre seria fácil. Mas ele optou por se humilhar e pedir que o Pai cumprisse a Sua vontade, custasse o que custasse!

            Continuou Jesus: “afasta de mim este cálice”. Não pediu: “Pai, se tiveres poder para mudar o que vai acontecer”. Ele sabia não haver nada que Deus não pudesse fazer: “Pai, se for possível ser tua vontade cumprida, teu plano, executado, teu nome, louvado, sem esta Cruz, o faça. Mas se o homem não puder ser salvo sem que eu morra, se a única forma de o coração humano inclinar-se ao teu seja meu sacrifício, então eu beberei este cálice, a taça da morte, para que todos tenham vida. Pai, se é necessário, eu o farei. Se o único meio de trazer vida à humanidade for através da minha morte, estou disposto a morrer! São eles (e aponta para nós) que não podem morrer”.

            Às vezes, a aflição é tão intensa que achamos que o mal que se abate sobre nós é o maior e mais insuportável que alguém já aguentou, esquecemos que Jesus padeceu ao sacrificar-se por nós. Dilacerados pela angústia, invadidos pela raiva, submergimos em meio à autocomiseração, fervemos com desejo de vingança ou nos sentimos esmagados pela derrota. Pensamos estar vivendo coisas que nenhum ser humano deveria ter que suportar. Se alguém ousa nos dizer que em tudo devemos dar graças a Deus, nos irritamos e não conseguimos aceitar o conselho. Frente à dor, pedimos ao Pai que nos cure, afaste de nós este cálice terrível. E a cada dia, acordamos para descobrir que a tempestade não passou, a dor não desapareceu, a crise não diminuiu. Insistimos: Pai, afasta de mim este cálice!

            Por que não oramos como Jesus? Não pedir: “Senhor, se eu tiver fé suficiente”, ou “Senhor, se tiveres poder suficiente”. Mas sim: “Pai, não há nada que não possas fazer. Se for tua vontade, cura minha dor. Resolva o problema que me aflige, tira do meu coração esse espinho que dói cada vez que respiro. Se for possível que isso aconteça e mesmo assim teu propósito se cumpra na minha vida, então, Senhor, tire o sofrimento do meu caminho. Mas, se a dor que enfrento, os ferimentos e as cicatrizes que carrego servirão para levar tua luz a quem está em trevas, se esse sofrer momentâneo é parte de teu plano para minha vida, se queres me moldar por meio do sofrimento para me adequar perfeitamente a teus propósitos, Senhor, TUA vontade, não a minha, se cumpra em mim”.

            Jesus provou a morte para nos dar garantia de vida eterna. Sempre que perdermos nosso senso de gratidão, nos esquecermos de quem é Deus, do que Ele tem feito e não conseguirmos ver o que Ele está fazendo em nós, ainda que através da dor, saibamos que é hora de voltar ao Getsemani! Voltemos lá com a frequência necessária para manter nosso coração cheio de gratidão e reverência pelo preço que um Deus Santo escolheu pagar para salvar o homem pecador, oferecendo sua própria vida.

            Se tu me perguntares: “Eu tenho sofrido tanto, por que deveria ser grato?”, eu te responderei com outra pergunta: “Há quanto tempo não vais ao jardim?”

            (Graças, Pai amado, por TUDO! Cumpra em mim o teu querer!)

            Aurélia Cabral Cezar

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