PERDOAR?

05/02/2011 14:45

            Perdão, segundo o dicionário, é “remissão de pena, desculpa, indulto”; é “desculpar, absolver, remir (pena, culpa ou dívida)”. Na prática, perdoar é renunciar a seu direito (legítimo) de vingança contra o ofensor. Perdoar não é simplesmente desculpar, é bem mais profundo que isso. Em termos espirituais, significa ficar livre para amar quem nos faz mal, fere ou prejudica.

            Porém, perdoar não é uma ação natural do ser humano. Nossa reação imediata à ofensa e à agressão é revidar. Quando não o fazemos, somos tomados de amargura, remoemos mágoa e rancor. Para que consigamos perdoar, é preciso travar uma luta intensa entre nossa natureza humana (carnal) e o espírito de Deus que em nós habita. Mas se perdoar não é inerente à nossa natureza, então por que Deus nos ordena que perdoemos?

            Porque nós também fomos perdoados: Deus nos amou e perdoou primeiro! “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef. 4:32). Não esqueçamos o precioso sangue da aliança: Jesus derramou seu sangue para o perdão de todos os pecados da humanidade – inclusive de quem lhe fez mal: “Porque este é o meu sangue; o sangue da aliança, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados” (Mt. 26:28).

            Para aliviar o pesar do nosso ofensor: às vezes quem nos ofende está tomado por culpa e remorso. Por isso, “deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja devorado de excessiva tristeza. Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor” (2 Co 2:7-8).

            Para que tenhamos nossos pecados perdoados: Jesus nos ensinou que Deus não nos perdoará se não perdoarmos uns aos outros: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas” (Mt. 6:14-15).

            Não é necessário que o ofensor esteja arrependido: aqueles que crucificaram Jesus não pediram perdão e nem estavam arrependidos. Entretanto, o Mestre orou ao pai: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc. 23:24). Também Estevão, pouco antes de morrer apedrejado, clamou por seus agressores: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At. 7:60).

            Perdoar com que freqüência? Pedro perguntou quantas vezes deveria perdoar e Jesus disse: “Não te digo que até sete; mas setenta vezes sete” (Mt. 18:22).

            Quem perdoa, esquece. Há um ditado popular que diz: “eu perdôo, mas não esqueço”. Não é isso que Jesus nos ensinou: perdoar implica esquecer a ofensa, tal como Deus esquece nossos pecados. “Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais Me lembrarei dos seus pecados” (Jr. 31:34). “Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl. 103:12). “Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção” (1 Pe. 3:9).

            Então, por que perdoar? Para sermos verdadeiramente filhos de Deus. Jesus nos convoca para o seguirmos e sermos iguais a Ele. Infelizmente, hoje em dia cada vez menos as pessoas têm se preocupado em seguir o exemplo de Cristo e parecer com Ele. É que, sem observarmos os parâmetros divinos, sem termos Jesus como nosso modelo, não conseguiremos perdoar. Porém, Deus nos ordena que perdoemos: à luz da Bíblia, o perdão não é um sentimento, uma opção do cristão, mas um dever. Sem a bênção do perdão somos devorados por maus sentimentos, como raiva, frustração, amargura, arrogância e presunção. Quando optamos por não perdoar, isso nos afasta do propósito de Deus para nossas vidas, pois nos colocamos em posição de superioridade em relação ao nosso ofensor, esquecendo que o perdão divino é graça de Deus, favor imerecido.

            Deus perdoa e esquece nossas transgressões. E nós, temos perdoado quem nos faz mal, fere e prejudica?

            Aurélia Cabral Cezar

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